O movimento passivo é aquele cuja força/peso está relacionada tanto consigo mesmo quanto com o outro. Este movimento pode ser conduzido por outra pessoa, na medida em que a força que é aplicada sobre o corpo vem deste outro, ou pode ser conduzido por outra força, externa ao corpo, que faz com que o movimento aconteça e, geralmente, esta outra força é a gravidade.
Tanto num caso quanto no outro existe uma atitude interna que é a condição essencial para este movimento acontecer de fato: essa atitude é a ENTREGA. Sem a devida entrega, parcial ou total no caso de o movimento ser conduzido por outra pessoa; e total no caso de ser conduzido pela gravidade ou outra força da natureza, o movimento passivo não pode existir.
A entrega é a medida da passividade.
O movimento é a própria vida. São as escolhas que faço. Essas escolhas vão construindo o meu corpo e a minha história. O movimento é a ação de viver. Nesse sentido é importantíssimo parar e se questionar como, de fato, o meu peso está distribuído no meu corpo? como ele me constitui e em que medida?
Eu imagino uma balança (é... eu sou libriano) que organiza as medidas, onde cada ingrediente, que compõe a nossa movimentAÇÃO, nos caracteriza, nos torna seres individuais. Mas esta mesma balança, quando está em desequilíbrio, pode provocar uma supremacia de um fator em relação ao outro e assim, nossa movimentAÇÃO fica desarmoniosa, fora de ajuste.
E quando o movimento passivo é o fator de desajuste? Resta a necessidade de compreender que não existe pessoa no mundo que queira carregar sozinho o peso/fardo dos outros; o máximo o que as pessoas podem fazer é compartilhá-lo com você, seja qual for o tipo de relação que você tenha com esta pessoa.
Existem coisas muito boas na capacidade de ser entregue, significa que você é disponível, que quer e gosta do outro, provavelmente gosta (gosta muito) das coisas da PELE, como toque, abraço, carinho. Para ser uma pessoa mais equilibrada e feliz consigo, é preciso que você cuide mais do seu centro, adquira força interna e base para sustentar a si mesmo. Aprenda que sua felicidade não pode estar entregue totalmente ao outro; aprenda que é responsabilidade fundamentalmente sua carregar o seu peso.
Entregue-se, mas não se abandone...