quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O movimento passivo...

Não pretendo dar uma aula sobre movimento, mas pensar sobre o que pode representar para o ser/corpo este tipo de movimento. Todo movimento, para existir, necessita de uma força, esta pode ser gerada interna ou externamente, ou ainda simultaneamente. Quando falamos de força, estamos falando na verdade de peso, porque, segundo propõe Laban, o peso é o único fator de movimento que se subdivide em ativo e passivo. Laban foi um dançarino que estudou o movimento a partir da vida comum, especialmente dos operários das fábricas alemãs e inglesas. É ele quem propõe estudar os fatores para os quais o movimento pode acontecer: fluxo ou fluência, foco ou espaço, tempo e o peso.

O movimento passivo é aquele cuja força/peso está relacionada tanto consigo mesmo quanto com o outro. Este movimento pode ser conduzido por outra pessoa, na medida em que a força que é aplicada sobre o corpo vem deste outro, ou pode ser conduzido por outra força, externa ao corpo, que faz com que o movimento aconteça e, geralmente, esta outra força é a gravidade.

Tanto num caso quanto no outro existe uma atitude interna que é a condição essencial para este movimento acontecer de fato: essa atitude é a ENTREGA. Sem a devida entrega, parcial ou total no caso de o movimento ser conduzido por outra pessoa; e total no caso de ser conduzido pela gravidade ou outra força da natureza, o movimento passivo não pode existir.

A entrega é a medida da passividade.

O movimento é a própria vida. São as escolhas que faço. Essas escolhas vão construindo o meu corpo e a minha história. O movimento é a ação de viver. Nesse sentido é importantíssimo parar e se questionar como, de fato, o meu peso está distribuído no meu corpo? como ele me constitui e em que medida?

Eu imagino uma balança (é... eu sou libriano) que organiza as medidas, onde cada ingrediente, que compõe a nossa movimentAÇÃO, nos caracteriza, nos torna seres individuais. Mas esta mesma balança, quando está em desequilíbrio, pode provocar uma supremacia de um fator em relação ao outro e assim, nossa movimentAÇÃO fica desarmoniosa, fora de ajuste.

E quando o movimento passivo é o fator de desajuste? Resta a necessidade de compreender que não existe pessoa no mundo que queira carregar sozinho o peso/fardo dos outros; o máximo o que as pessoas podem fazer é compartilhá-lo com você, seja qual for o tipo de relação que você tenha com esta pessoa.

Existem coisas muito boas na capacidade de ser entregue, significa que você é disponível, que quer e gosta do outro, provavelmente gosta (gosta muito) das coisas da PELE, como toque, abraço, carinho. Para ser uma pessoa mais equilibrada e feliz consigo, é preciso que você cuide mais do seu centro, adquira força interna e base para sustentar a si mesmo. Aprenda que sua felicidade não pode estar entregue totalmente ao outro; aprenda que é responsabilidade fundamentalmente sua carregar o seu peso.

Entregue-se, mas não se abandone...